Bocas roxas de vinho, Testas brancas sob rosas,
Nus, brancos antebraços
Deixados sobre a mesa;
.
Tal seja, Lídia, o quadro
Em que fiquemos, mudos,
Eternamente inscritos
Na consciência dos deuses.
.
Antes isto que a vida
Como os homens a vivem
Cheia da negra poeira
Que erguem das estradas.
.
Só os deuses socorrem
Com seu exemplo aqueles
Que nada mais pretendem
Que ir no rio das coisas."
Ricardo Reis, Odes
Escolhi este poema de Ricardo Reis como o meu favorito de entre os que li, pois é neste que encontro muito presente uma das temáticas que mais aprecio no Heterónimo de Fernando Pessoa: o paganismo. Sempre tive um fascínio pelas sociedades clássicas onde a adoração aos deuses era moda. O facto de, a estes mesmos deuses atribuírem historias, vivências, personalidades e de os interligarem entre si, veio aumentar o meu interesse. Também Reis parece ter este fascínio pelo clássico que tão bem o demonstra na sua obra. Além do paganismo, outra temática me atraiu a “identidade implacável a que todos obedecemos: o Fado.”
Debruçando-me sobre o poema que escolhi, todo ele apresenta marcas de paganismo/politeísmo (já referidas), assim como do Fatum, Fado ou destino.
O sujeito poético começa por “pintar” um quadro onde cores como o roxo e branco parecem aparecer. O roxo caracteriza a boca dos que estão retratados que possivelmente beberam vinho. O vinho que é o símbolo de prazer e festividade para o homem, mas muito mais para os deuses (a ponto de classificarem Baco como seu Senhor. E o branco símbolo de pureza e paz que comporta consigo a tranquilidade das “testas brancas sob rosas” e dos “antebraços deixados sobre a mesa” (está aqui presente a ataraxia característica de Reis). Estes antebraços caídos que são o símbolo da desistência daqueles que lutam contra o destino que os rege.
Debruçando-me sobre o poema que escolhi, todo ele apresenta marcas de paganismo/politeísmo (já referidas), assim como do Fatum, Fado ou destino.
O sujeito poético começa por “pintar” um quadro onde cores como o roxo e branco parecem aparecer. O roxo caracteriza a boca dos que estão retratados que possivelmente beberam vinho. O vinho que é o símbolo de prazer e festividade para o homem, mas muito mais para os deuses (a ponto de classificarem Baco como seu Senhor. E o branco símbolo de pureza e paz que comporta consigo a tranquilidade das “testas brancas sob rosas” e dos “antebraços deixados sobre a mesa” (está aqui presente a ataraxia característica de Reis). Estes antebraços caídos que são o símbolo da desistência daqueles que lutam contra o destino que os rege.
O quadro é classificado pelo “eu” lírico como o retrato em que ele e a sua musa, Lídia, estáticos (como em qualquer outro quadro), como que aceitando o destino que lhes é dado. Ao aceitar este destino estão eles, homens, a imitar os deuses, que por ele também são regidos. Até aqui, e na tentativa de aconselhar e recomendar a Lídia que siga esse caminho como ele faz, o sujeito poético adquire um tom moralista como que formando valores (para ele axiomáticos) que pretende por em prática e propaga-los a outros.
É estabelecida de seguida uma comparação entre a vida que os homens levam e a que é levada pelos deuses. A vida que os homens vivem é apresentada como “negra poeira que erguem das estradas”, como que passando veloz de olhos postos não no presente, mas no futuro e com pressa de lá chegarem. A cor que a define (o negro) é por si também muito significativa, pois demonstra (na perspectiva do sujeito poético) a tristeza e o sofrimento de quem leva a vida desta forma. Em suma, o que ele pretende é viver calma e tranquilamente de forma a atingir um equilíbrio que o conduzirá à felicidade, não pretendendo correr riscos no que quer que faça para que este equilíbrio não se desfaça.
Por fim chega a vida que os deuses levam. Estes também seguem o destino tal como ele é (“ (…) socorrem com o seu exemplo”) e ajudam os homens que nada querem, ou seja, aqueles que tal como eles “nada mais pretendem que ir no rio das coisas”. Rio este que passa, tal como a vida, e que não volta a passar de novo.
É estabelecida de seguida uma comparação entre a vida que os homens levam e a que é levada pelos deuses. A vida que os homens vivem é apresentada como “negra poeira que erguem das estradas”, como que passando veloz de olhos postos não no presente, mas no futuro e com pressa de lá chegarem. A cor que a define (o negro) é por si também muito significativa, pois demonstra (na perspectiva do sujeito poético) a tristeza e o sofrimento de quem leva a vida desta forma. Em suma, o que ele pretende é viver calma e tranquilamente de forma a atingir um equilíbrio que o conduzirá à felicidade, não pretendendo correr riscos no que quer que faça para que este equilíbrio não se desfaça.
Por fim chega a vida que os deuses levam. Estes também seguem o destino tal como ele é (“ (…) socorrem com o seu exemplo”) e ajudam os homens que nada querem, ou seja, aqueles que tal como eles “nada mais pretendem que ir no rio das coisas”. Rio este que passa, tal como a vida, e que não volta a passar de novo.
Assim este poema transporta em si características pagãs ("deuses") e clássicas ("Lídia", "rio"), a crença no fatum e o equilíbrio de emoções que tão bem caracterizam a poesia de Ricardo Reis.
2 comentários:
Olá! Estive por aqui a ver como estava o blogue. Há alguns erros de acentuação, concordância, e formulação frásica. Penso que a combinação do verde de fundo não facilita a leitura. Releia e procure corrigir. passo mais tarde.
Fernanda Vicente
olà, Monica. De facto, um dos mais belos poemas de Reis, e um dos mais sensuais, carnalmente, pois Alvaro de Campos intelectualiza por demais o seu erotismo, sem porém deixar de ser o meu heteronimo preferido com o Soares.
Sou livreiro, vivo em França, e é muito agradavel ler um blogue português interessante.
o meu blogue :
http://patferne.blogspot.com/
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